Parashá Chayei Sarah - חַיֵּי שָׂרָה

 A Vida de Sara
Parashá: Génesis, 23:1-25:18
Haftaráh: Reis I, 1:1-31
Resumo da Parashá

Sara falecera com 127 anos de idade, Abraão foi a Cannã, junto à cidade de Hebron, Efron o líder dos hiteus quis dar de boa vontade o campo e a sepultura a Abraão, mas este insistiu que queria pagar pela sepultura, e pagaria também pelo campo que Efron queria
ofertar, e assim Abraão comprou o campo de Makhpela por 400 ciclos de prata.
Abraão incumbiu um dos seus servos, fazendo-o jurar com a sua mão debaixo da coxa de Abraão, que garantisse-lhe que Itzack não casaria jamais com uma mulher cananeia, mas antes, haveria de ir buscar uma mulher da parentela de Terah seu pai, evitando que Itzack precisasse sair de junto de seu pai, Abraão ou mesmo de Canaã e assim fez-se, pelo que o Servo encontrou Rivkah / Rebeca, que deu de beber aos seus camelos e levou o servo de Abraão à presença de seu irmão mais velho Labão, que era sobrinho neto de Abraão, filho de Betuel e neto do seu irmão Nahor.
Labão abençoou Rikvah profetizando que dela nasceriam miríades de descendentes, assim partiu, e ao chegar a Canaã, encontrou Itzack no campo de Neguev, ao vê-lo cobriu-se com o veu, Itzack a instalou na tenda de sua mãe, desposou-a, amou-a e consolou-se da perda de Sara, após estes acontecimentos, Abraão voltou a casar-se e a ter por meio deles uma vasta descendência.
Interpretação da Mensagem
Sara vivera 127 anos, somados os números equivalem a dez, que representa um número inteiro e místico, o equilíbrio representado pelos dez dedos de ambas as mãos, ou a totalidade do cumprimento dos preceitos toraídicos do decálogo, a simbologia não para aqui, os 400 ciclos pelos quais a sua sepultura e todo o campo de Makhpela junto à cidade de Hebron, que Abraão comprara, são o sinal da primeira aquisição territorial abraâmica na Terra Santa, um legado para os descententes de Abraão, Itzack e Jacob, ou seja para toda a posteridade de Israel e seu povo. O numero quatro representa a totalidade dos quatro campos do espaço, norte, sul, leste e oeste, aqui há o número 400 dando enfase a essa aquisição numa clara confirmação de posse pela compra.
O juramento que o servo de Abraão fez, tendo colocado a mão por baixo da coxa do seu Senhor, era um costume antigo, contudo tem um grande significado no sentido em que ao jurar estaria a jurar pelos descendentes, ou seja por toda a posteridade, incluindo os que vivem na atualidade, quer em Israel quer na diáspora.
O facto de Abraão não querer que Itzack se casasse com uma das filhas de Canaã, representa a necessidade de manter a Aliança com o Eterno, os cananeus eram idolatras e politeístas, pelo que com uma mulher cananeia, Itzack certamente se corromperia, tal como mais tarde veio a ocorrer com alguns dos reis de Israel, que levaram a que todo o povo fosse castigado pelo cativeiro na Babilónia.
A escolha de Rikvah, não foi um acaso, mas o modo como está descrito revela que foi sem duvida os desígnios de D-us que se cumpriam para levar a bom termo a constituição de um grande povo pela descendência de Abraão , que geraria Itzack, que gerou a Jacob, que se denominou Israel e seria o pai das doze tribos de Israel.
Há contudo um importante relato, que é sobre o servo que ora ao Eterno e pede para que HaShem o ajude a cumprir a sua missão, dando-lhe um sinal e fica atónito ao ver que o Senhor se revelara prontamente em Rikvah.
Tanto Sara, que gera a primeira compra territorial em Canaã, como o casamento de Itzack com Rikvah mostram a importância da mulher na formação do povo hebreu, no papel fulcral da sociedade patriarcal e na religião judaica pelo critério da descendência matrilinear.
Além do que foi citado, que leitura poderemos nós tirar daqui para a nossa própria vida pessoal? em primeiro lugar a MISSÃO, que fora incumbida por Abraão, em segundo lugar a oração, ou PEDIDO feito pela oração do servo, por fim o RECEBER a graça.
Na nossa vida também passamos por estas etapas, somos ensinados que para tudo o que precisamos, basta querer, pedir e receber, mas não resulta na grande maioria das pessoas, porquê? Porque por si só, o querer não basta, o pedir sem saber é vão, e por fim não saber receber é o pior de tudo.
Assim há a necessidade de sabermos o que QUERER, que está relacionado não com os nossos desejos pessoais e materiais, mas sim com a nossa missão nesta vida; Segue-se o modo como se PEDE, ou seja o que pedimos também tem que estar relacionado tanto com o cumprimento da missão, como com o modo como o pedido é direcionado; Por fim há a necessidade de se estar apto para RECEBER, ou seja os meios para o cumprimento de uma tarefa só são dados a quem sabe o que está a receber e a que finalidade se destina a graça ou Bênção.

HAFTARÁ: MELACHIM alef 1:1-31
Ve HaMelech David / E o Rei David
O Rei David, encontrava-se avançado em idade, fora levada para junto dele uma jovem virgem shunamita que cuidava do Rei, ao mesmo tempo, um dos seus filhos, Adoniá, cometia o abuso de poder, pelo que fora levada essa situação ao conhecimento de Bat-Sheva, mãe de Salomão, e o Profeta Natan foram ter com David, e preguntaram-lhe sobre a promessa de que seria Salomão a governar o reino de Israel, pelo que o Rei David jurou perante o profeta e a mãe de Salomão / Shlomo, que seria este que seria Rei, e não Adoniá.
Aqui há uma ligação da velhice de Abraão e a de David, a descendência de Itzack e a de David, a nova esposa de Abraão que cuidara dele na velhice, e o mesmo se passara com David e a sua cuidadora e concubina Shunamita. Mas também a haftaráh corrobora a profecia de um futuro grande para os descendentes tanto de Abraão como David, ou por outras palavras, coloca em posição de similaridade tanto a Itzack como a Salomão no intuito de cumprimento dos desígnios do povo judeu e da grandeza de Israel.


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