quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

9ª Parashá - Vayieshev - וַיֵּשֶׁב‬

E ele habitou
Parashá: Génesis, 37:1-40:23
Haftaráh: Amós, 2:6-3:8
Resumo da Parashá
Israel habitou em Canaã, a terra prometida pelo Eterno aos seus ascendentes, o pai Yitzaac e o avô Abraham. Jacob teve doze filhos, dentre os quais José era o mais amado, tendo-lhe mandado fazer uma túnica-talar (veste de muitas cores que chega até aos pés, tipicamente usada pelos religiosos ou pessoas a quem se dava grande importância), devido a esse favoritismo, José sofreu a inveja dos seus irmãos.
       José é vendido  pelos seus irmãos aos ismaelitas.
Certo dia José teve um sonho e, revelou-o aos seus irmãos, no sonho os irmãos prostravam-se por terra diante de José, em sinal da sua importância face à fragilidade dos irmãos, desde então, passaram a odiá-lo ainda mais. Israel envia José a ir ter com seus irmãos que estavam a apascentar, e no caminho perdeu-se e encontrou um homem que perguntou-lhe: "O que buscas?" (segundo os exegetas esse homem era o anjo Gabriel) e a pergunta é sinal da missão de Israel como a Luz das nações.

Os seus irmãos avistaram-no já ao longe e tramaram contra ele, querendo-o matar, mas Rúben não deixou e disse para deixa-lo no poço, com intenção de devolte-lo a seu pai, e fastou-se por um tempo dos seus irmãos, e os restantes juntos julgaram o que deveriam fazer e Judá teve a ideia de vender José aos ismaelitas que por ali passaram, e venderam-no por vinte moedas de prata. 
       Judá e Tamar, a Lei do Levirato
A narrativa corta a sequência da história de José, e insere a de Judá, precisamente o filho que vendeu José para os Ismaelitas. A história de Judá (filho de Jacob), é de certa forma dramática, separa-se dos seus irmãos e de seu pai Jacob e, dirige-se para Sul e casa-se com Shuá, a filha de Hira um comerciante adulamita da cidade de Adulão em Canaã; tendo gerado três filhos com Shuá a filha desse comerciante, cujos nomes são, Er, Onan e Shelá.
Er morrera e Judá ordenara a seu filho Onan que, casasse com a cunhada Tamar para dar descendência ao irmão Er (Lei do levirato) sabendo que o filho não seria considerado seu, Onan evitava engravidar Tamar, e o Eterno o matou. Então Judá pede a Tamar que volta para casa do seu pai e aguarde alguns anos para que Shelá tenha idade para dar-lhe descendência por Er. Mas os anos passam e Judá, ficou viuvo e não enviou seu filho, o único que sobrevivera, Tamar sabe que Judá dirigia-se à localidade de Timná para tosquiar seu rebanho, e disfar-se de prostituta consagrada com o rosto tapado, e Judá sem saber quem era, ao vê-la seduz-se e deita-se com ela em troca de um cabrito, por penhor Tamar pede o anel selo, o manto e o cajado.

Passado algum tempo Judá é avisado de que Tamar havia engravidado por adultério, e antes que fosse condenada e morta, ela mostra os objetos do penhor, e Judá reconhece que ela é mais justa que ele, no seu ventre estavam os filhos de Judá, dois gémeos de nome Perez e Zeráh.
       José é preso por ordem de Putifar o Egípcio
E José no Egito foi vendido como escravo para Putifar um alto funcionário do Faraó. José era prospero pois o Eterno estava com ele, tinha grande beleza fisica como sua mãe, o que fez atrair a atenção da mulher de seu amo, que quis deitar-se com José, agarra-o e José ao fugir deixa sua túnica nas mãos da mulher que denuncia-o a Putifar e, este por sua vez, ordena a prisão de José. 
Na prisão, José esteve vários anos, ao todo 12, mas o Eterno estava com ele, fazendo com que o Chefe do Cárcere simpatizasse com ele e, lhe atribuísse a ordenança de todos os serviços.
       Os sonhos proféticos de José na Prisão
Certo dia foram encarcerados dois oficiais do Faraó, o Copeiro Mor e o Padeiro Mor, e certo dia José raparou no semblante triste que tinham, e perguntou-lhe o que se passava, e revelaram-lhe cada um a seu tempo o seu sonho, e José os revelou, ao Copeiro mor, que em três dias seria recolocado no seu posto de antes e, ao padeiro que em três dias iria ser morto, e assim foi.
 José pede ao Copeiro para que o auxilie a sair da cadeia, e que não se esqueça dele por ter-lhe revelado o seu sonho, mas o Copeiro mor, não se recordou mais de José.

Interpretação da Parashá
A história de José, é a história da Salvação divina de todo um povo que ainda estava por se formar, o Eterno uma vez mais não define os agentes de salvação pela posição ou grau de nascimento como a primogenitura, aqui José é o penúltimo filho de Jacob é todavia o primogénito de Raquel que era a mulher que amara e por quem trabalhara 14 anos.
O Talmud diz-nos que devemos amar todos os nossos filhos de igual modo e não fazer diferença entre nenhum deles, todavia Jacob tinha predileção por José, mas aqui poderá ser também uma ênfase à história da redenção, Jacob aqui representa o Pai espiritual, o Eterno e a predileção é a simbologia da Bênção que lhe está destinada, todavia, ainda que pareça uma desgraça ser vendido pelos irmãos e ser preso no Egito por algo que não fez, não parece a nenhum homem natural uma bênção, mas é aqui que entra a didática do Eterno, o Espírito do Eterno está e age onde e como quer, para o bem de todos.
Quando José revela os sonhos aos irmãos, fez com que do desagrado nascesse a inveja e até o ódio na maioria dos seus irmãos. Quando José, dirige-se a Shechem por ordem de seu pai, no caminho perdera-se e aparece-lhe um homem que pergunta "O que procuras?", esse homem é tido como o anjo Gabriel e a sua pergunta é mística, indica-lhe o caminho e indo na direção dos seus irmãos, viram-no de longe e planearam trama-lo.
Quiseram mata-lo, exceto em Rúben que quis salvar o menino, ao dizer para colocarem-no num poço, mas Judá, na ausência de Rúben vendem-no por vinte moedas aos ismaelitas que são descendentes de Ismael filho de Abraão avô de Jacob.
A perda de José teve consequências de grande sofrimento para Jacob, e nesse sentido é que Judá aparta-se de seus irmãos e de seu pai, e dirige-se para o sul. Tendo sido um homem bem sucedido e com reconhecida importância, mas perdeu dois dos seus filhos sem lhe terem dado netos, ficara viúvo, e isso pode ser comparado ao que Judá teria que sofrer por ter feito sofrer seu pai, além disso, ao não fazer cumprir a Lei do Levirato entregando a nora ao seu filho mais novo, quando entrasse na maioridade, fez que Tamar o enganasse disfarçando-se de prostituta consagrada, visto que naquela altura a prostituição era permitida, assim Judá, ao ver que Tamar teria engravidara por ele  mesmo ao mostrar-lhe os objetos do penhor, Judá declara-a justa. É ela que dá a descendência à Tribo de Judá, que após o Cativeiro da Babilónia foi a única tribo que se manteve até hoje.  

HAFTARÁ: amos 2:6-3:8
Ko Amár HaShem  / Então Disse o Eterno

O Profeta Amos, inicia o relato com a afirmação do Eterno que diz:"Pelas três transgressões capitais de Israel eu tolerarei, mas pela quarta não susterei o seu castigo, porque os juízes vendem o justo por dinheiro, mas o necessitado por um par de sapatos".
   כֹּה, אָמַר יְה, עַל-שְׁלֹשָׁה פִּשְׁעֵי יִשְׂרָאֵל, וְעַל-אַרְבָּעָה לֹא אֲשִׁיבֶנּוּ:  עַל-מִכְרָם בַּכֶּסֶף צַדִּיק, וְאֶבְיוֹן בַּעֲבוּר נַעֲלָיִ
O que temos aqui, que nos ensina esta Haftará sobre a Parashá Vayieshev? Ensina-nos que os maiores pecados são: 1º a Idolatria, 2º o Adultério, 3º o assassinato e o 4º é vender um Tzadik (um justo) e isto o Eterno não poderia de forma nenhuma perdoar.

      José era amado por seu pai, porque de todos os seus filhos, José era o mais justo. E além de ter sido vendido por 20 moedas, compraram sapatos com o dinheiro e, cometeram ainda outro pecado, o de fazer sofrer pela mentira a seu pai, além de que, estando o pai de luto, não deveriam ter comprado sapatos novos, mas sim, ter tirado os seus próprios sapatos e ficarem descalços em sinal de luto, tal como manda a Lei judaica.
Antes de tomarem a decisão de vender José, os seus fizeram um "julgamento", mas por alguma razão Rúben afastou-se, e sem ele não havia Myiniam para fazer o julgamento, pois são necessários 10 judeus e lá só estavam 9, então o julgamento da venda, não teve quorum, todavia, se não fosse a vontade do Eterno José não teria ido para o Egito, e é lá que se irá formar o povo hebreu em grande número e através dele o judaísmo.

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