Descoberta uma comunidade judaica do Séc. XVII


Pesquisadores portugueses descobriram numa casa de Lourosa de Besteiros, em Tondela, 3 frases escritas na pedra e que antes estavam tapadas por camadas de argila durante 400 anos, e que fizeram crer tratar-se do nicho apropriado para a colocação de mezuzás, o facto que se repetiu em mais casas da aldeia levou os dois investigadores entre eles Luís Filipe Pereira juntamente com António Domingos Pereira, professor de história,  a levantarem a hipótese de ali ter sido uma importante comunidade judaica.
A notícia percorreu o país através da sua edição no "Diário das Beiras" onde as frases foram reveladas como sendo as seguintes: “Quem enfraqueceu a Sansão”, “E desacreditou a David”, “E fez néscio a Salomão” sendo que depois da descobertas das frases, apoiados por imagens recolhidas na aldeia de Lourosa de Besteiros, defenderam a tese de que, pelo menos ao longo do século XVII, ali existiu uma importante comuna judaica que estaria assente na existência de um complexo social, comunitário e administrativo composto pela sinagoga, tribunal, cadeia e o cemitério judaicos.
Estas descobertas e teses vêm a comprovar que de facto há uma grande parte da população portuguesa que descende direta e indiretamente de judeus, calcula-se que se trate de 20% da população portuguesa com ascendência judaica.

6 comentários:

  1. O facto de que "há uma grande parte da população portuguesa que descende direta e indiretamente de judeus" não justifica o lançamento de teses tão absurdas e ridículas como esta de que se fala. Antes merece o maior respeito e estudo sério sobre essas comunidades. É que os tais "investigadores" teriam obrigação de saber (se de facto o fossem) que não há comunas judaicas em Portugal no século XVII. O achado justificará decerto a investigação apropriada, mas a especulação fácil não ajuda em nada o maior conhecimento dessas comunidades do passado, antes induz a ideias falsas e ausentes do mínimo saber histórico. Lamento por isso que um site como o vosso não tenha percebido isso e que se continue a reproduzir este absurdo histórico.

    Teresa Cordeiro (Viseu)

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  2. Cara Teresa Cordeiro,

    O Facto de nos escrever e de se preocupar com a busca da verdade, é para nós algo muito válido e de grande importância.
    Não creio no entanto, que se trate de uma mentira, ou de uma tese absurda, pois Belmonte e os cripto judeus (descobertos no Século XX) são o exemplo da sobrevivência dos Bnei Anussim, que forçosamente se converteram ao catolicismo, pelo exposto vimos que a comunidade acima é claramente de cristãos-novos, que continuaram a existir em Portugal misturando-se com a população de onde saíram alguns dos expoentes da nossa vida pública, política e cultural, como Garcia de Orta, António Ribeiro Sanches, Abraão Zacuto, entre tantos outros.
    Compreendo o seu ponto de vista, claramente de cariz cientifico, lutando contra ideias fáceis e temendo que o que não seja verdade (a ser averiguado) se instale como mito, nas crenças do(s) nosso(s) povo(s), pelo que prometo estar atento à investigação e publica-la neste mesmo site assim que tenha mais informações.

    Os meus cumprimentos

    Filipe de Freitas Leal
    (Mordechai Lael Ben Avraham)

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  3. Caro Senhor:

    Grata pela atenção dispensada ao meu comentário e a seriedade com que o fez.
    Porém tenho de insistir (e porque esta é uma questão muito cara para mim) que: primeiro, sim, pode tratar-se de uma comunidade cristã-nova em Tondela, apesar de nos arquivos da Torre do Tombo se encontrar apenas referenciada uma família do século XVIII (contida em vários processos); segundo, é conhecimento geral que quando falamos em COMUNAS falamos de uma entidade administrativa e juridicamente autónoma do TEMPO DOS JUDEUS, que naturalmente desaparece,aquando da conversão forçada em finais do século XV.
    Por isso, só me vi na necessidade de corrigir a informação pelo anacronismo que revela.
    Cordiais saudações,
    Teresa Cordeiro

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  4. Os cristãos novos que havia em Tondela no Sec. XVIII não eram dali naturais. Foi perseguida a família de Francisco Pereira Dias (ele, a esposa, dois filhos legítimos, estudantes de Medicina em Coimbra e dois ilegítimos). Um destes últimos faleceu após o tormento e certamente em consequência deste. Ficaram conhecidos como os “judeus” de Tondela; escrevi a história abreviada em http://arlindo-correia.com/161207.html .
    Diz-se no entanto que poderiam ter existido comunidades judaicas na Serra do Caramulo, por volta do Milénio, por causa do nome Jueus, localidade pertencente à freguesia do Guardão. Se existiram, estariam já integradas e assimiladas no sec. XV.

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  5. Aqui em Israel, só hoje acedi por acaso a este blogue e já tentei seguir a ligação para o artigo de Arlindo Correia sobre os judaizantes de Tondela, pois interesso-me particularmente sobre essa localidade. No entanto não consegui aceder e apreciaria a vossa ajuda para ler o artigo.
    Quanto às inscrições de Lourosa de Besteiros, não sendo eu um especialista, concordo com o reparo de Teresa Cordeiro, que aponta para um problema muito comum nos últimos tempos. Evidentemente que depois de 1497 não havia judeus em Portugal, e também não haviam comunas. Houve e há práticas secretas de judaísmo, por parte de descendentes dos judeus forçados a converter-se ao cristianismo, mas é óbvio que se abstinham de qualquer manifestação pública (livros de Torah, inscrições, etc.) que os denunciassem. Portanto não podemos confundir a presença de cripto-judeus com a de comunas de judeus.
    Em relação às duas inscrições citadas, já alguém identificou a sua origem -Bíblia, Novo Testamento, outra fonte? Há primeira vista, hoje, não me lembro de a ter visto, mas terá certamente uma fonte.
    As três personagens bíblicas referidas têm, pelo menos, uma coisa em comum: foram enfraquecidos por mulheres por quem se apaixonaram. Qual o motivo para escrever isso na fachada de uma casa?
    Quanto à aldeia de Jueus, no Caramulo, a sua criação está documentada pela doação de Guardão ao judeu Mestre Amberte.

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  6. Caro Sr. Inacio Steinhardt,

    Obrigado pelo seu comentário que é de grande importância para nós, respondo ao seu comentário em que me pareceu necessitar de maiores informações sobre o assunto, venho pois indicar-lhe um link para um dos sites onde essa notícia foi publicada: http://noticias.sapo.pt/infolocal/artigo/1208401

    Um grande abraço.

    Shalom aleichem

    Filipe de Freitas Leal
    (Mordechai Lael Ben Avraham)

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