Parashá Bereshit - בְּרֵאשִׁית

Parashá: Génesis 1:1-6:8
Haftaráh: Isaias 42:5-21


No Princípio– É exatamente com esta palavra que toda a Torá começa, Bereshit, que é formada por duas palavras Be e Rosh, que são respetivamente Em ou Na e Cabeça, que em hebraico quer dizer “Principio”, tal como Rosh HaShaná significa a Cabeça do Ano.
Aqui temos que se a cabeça representa o principio, faz-nos lembrar que toda a CRIAÇÃO nasce primeiramente na Cabeça do Eterno, ou por outras palavras, na mente de D-us, tal como podemos observar em nós mesmos, antes de articularmos uma palavra que pretendemos dizer, pensamos primeiramente nessa palavra e no seu símbolo ou ideia.
Pela PALAVRA o Eterno criou todas as coisas, em Pirkei Avot (Etica dos Pais) 5.1 afirma: “Com dez pronunciamentos O Eterno fez toda a criação[i][1]e pela sua Palavra sagrada surge a LUZ do Seu primeiro pronunciamento, consequentemente surgem também as trevas, que são a ausência de Luz; Porém Bereshit é considerado o primeiro pronunciamento, visto que a Torá é a palavra de D-us. Seguindo-se a “Bereshit” temos:
1.º Pronunciamento:Haja Luz”
2.º Pronunciamento:“Haja um firmamento no meio das águas e separação entre as águas”.
3.º Pronunciamento:Juntem-se as águas debaixo dos céus, num lugar, e apareça o leito seco”.
4.º Pronunciamento: “Haja luzeiros no firmamento dos céus, para a separação entre o dia e a noite, e sejam sinais para os prazos dos dias e dos anos”.
5.º Pronunciamento:“Produzam as águas réptil de alma viva e ave que voe sobre a terra, sobre a face do firmamento dos céus”.
6.º Pronunciamento:Produza a Terra alma viva, segundo sua espécie”.
7.º Pronunciamento: “Façamos o Homem à nossa imagem e semelhança… e D-us os criou macho e fêmea Adam e Havah”.
8.º Pronunciamento: “Frutificai-vos, multiplicai-vos enchei e dominai a terra”.
9.º Pronunciamento: “Toda a verdura de erva vos servirá para comer”.
O sétimo pronunciamento depois de “Bereshit” é a criação do Ser Humano, Adam, palavra que deriva de Adom que significa sangue e de Adamá que significa Terra ou barro, sendo feito à Sua imagem e semelhança, aqui temos a simbologia do número 7, a perfeição e o sagrado, outro detalhe é o sopro em hebraico deRuach que significa espírito, o Eterno partilha o seu próprio espírito ao soprar nas narinas do Homem, o mesmo não fez com as outras criaturas, assim o corpo físico é o recipiente do espírito que o Eterno lhe atribui a partir de Si mesmo.
Quanto à semelhança com o Criador, é precisamente pela partilha do espírito do Eterno e na capacidade que o Homem tem de falar, pela palavra o homem torna-se semelhante ao Eterno, a palavra tem poder.
O grande Rabbi Shamai, afirma que a Criação também se dividiu em objetivos celestiais e terrenos, assim sendo temos:
1.º dia: Os Céus e a Terra, para os dois mundos, o do mundo espiritual e o do mundo físico;
2.º dia: O firmamento – celestial;
3.º dia: O solo seco da Terra – terreno;
4.º dia: Os luzeiros – celestial;
5.º dia: Vida nas águas – terreno;
6.º dia: O Ser Humano – celestial e terreno.
Segundo o Rabbi Rashi, a criação do Homem veio criar a harmonia entre os mundos espiritual e terreno, visto que faz parte de ambos pois o seu corpo físico vem do pó/terra e o seu espírito vem de D-us.
D-us deixa de trabalhar no sétimo dia, abençoando-o e santificando-o, o Shabbat representa a perfeição a plenitude e a santidade que não esta presente no mundo terreno onde domina a matéria densa, é o Ser Humano com o espírito do Eterno que trás luz ao mundo.
O restante da Parashá, fala-nos de que HaShem colocou o Ser Humano no jardim do Éden, que simboliza a proteção divina onde vivia em plena comunhão com D-us, que a perdeu devido a sua natureza de desobediência perante a proibição de comer do fruto do conhecimento do Bem e do Mal, após serem persuadidos pela astucia da serpente, símbolo do mal.
A expulsão revela-se para o Ser Humano uma existência penosa,  além disso, a inveja de Caim contra o seu irmão pastor, devido ao Eterno se agradar com as ofertas de sacrifício feitas por Abel, mas não se agradava com as oferendas de sacrifício feitas por Caim que era agricultor, de modo que este se entristeceue caíra o seu semblante, e o Eterno diz-lhe que se ele suportar com paciência, ser-lhe-á perdoado o pecado, caso contrário o pecado jaz à porta. Esta é uma das passagens mais enigmáticas da Bíblia, mas poderá significar o  livre arbítrio, que cabe ao homem saber decidir-se a entrar pela porta do pecado ou a permanecer na vontade do Eterno.



HAFTARÁ: IESHÁYAHU 42:5-21

Assim disse o Eterno, Ko-amar Ha El, é com esta frase que a Haftará faz a concordância com a Parashá, a Palavra criadora se repete aqui, desta vez para prometer ao Seu Povo, Israel que seria um povo diferente e abençoado em toda Terra, e faz uma veemente condenação aos idolatras e a todos que se afastam do caminho de D-us e da Torá.
Por outras palavras, o Eterno não abandona o Homem e não mede esforços para o resgatar, o propósito da criação estão na mente do Eterno como uma Palavra de honra e um compromisso espiritual por amor da Sua Torá e do Seu Nome.




[1] FRIDLIN, Jairo (1997) “Sidur Completo” Pirkei Avot, V, pp 434. São Paulo, Editora Séfer.

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