quinta-feira, 9 de julho de 2020

40ª Parashá - Balac - בָּלָק

E Viu Balac
Parashá: Números, 22:2-25:9
Haftaráh: Miquéias, 5:6-6:8
Resumo da Parashá
Balac era o filho de Tzipor rei de Moab, e certa vez, após observar o povo judeu, temeu perante o sucesso dos israelitas, ouvindo os relatos sobre a sua fama perante os inimigos de Israel após a saída do Egito e a travessia do deserto; Balac observou de longe o imenso acampamento dos filhos de Israel, pelo que concluiu no seu raciocínio que empreender uma luta armada com Israel, poderia feri-lo, mas não vence-lo, Balac teve então a ideia de amaldiçoar todo o povo de Israel, e acreditou que a campanha da maldição traria mais benefícios e vitórias para os moabitas.
Decidiu-se então a difamar os hebreus perante o povo moabita, assustando-os, alarmando os animos da população contra Israel; após isso enviou mensageiros a Midian, para chamar o mago e profeta Bil'am (Balaão) pedindo para que viesse até ele em Moab, para assim poder amaldiçoar todo o Israel.
Bil'am aceita as oferta milionária de Balac.
Bil'am (Balaão) recebe a visita dos mensageiros de Balac, ansiãos de Moab e de Midian, que lhe expuseram a situação pelo temor aos israelitas, e pediram que seguisse com eles, para diante de Balac amaldiçoar todo o povo de Israel. Bil'am informou que iria consultar o Eterno, e o que o Senhor dissesse seria o que Bil'am faria. E de noite revelou-se o Eterno a Bil'am e disse: "Não irás com estes homens, nem amaldiçoarás os hebreus, pois são um povo bendito". Uma vez mais Bil'am pede um dia, e durante a madrugada D-us revela-se a Bil'am e permite que acompanhe os Senhores até Balac, mas que só irá fazer o que o Eterno lhe permitir.
Bil'am espancou a burra até que o Anjo do Eterno se revelou.
A ganância por riquezas e honrarias cegou Bil'am, de modo que o mesmo segui, a caminho a burra viu um anjo com uma espada desembainhada e parou, e isso ocorreu por três vezes, Bil'am agrediu violentamente a burra, até que a mesma abre a sua boca e fala, e pergunta-lhe: "Que te fiz eu? Acaso tem sido este o meu costume desde que te sirvo? E quando Bil'am respondeu "não" o anjo se revelou e ele o viu. E o anjo do Eterno avisou a Bil'am para que não fizesse nem proferisse palavra nenhuma contra o povo de Israel.
Quão belas são as tuas tendas, ó Jacob
Perante Balac, o profeta Bil'am informou que só faria o que o Eterno lhe permitisse, e pediu que fossem erguidos sete altares, em cada um foi morto um boi e um cordeiro. Após a oferenda, Bil'am profere o seu oráculo dizendo: "Como amaldiçoarei a quem  não amaldiçoou D-us, e como farei enervar a quem não enervou o Eterno? (..) eis que é um povo que habita só, e eis que entre as nações não será enumerado". E Balac espantado, pede uma vez mais que amaldiçoe Israel, uma segunda e uma terceira vez, e neles foram feitos mais duas vezes sete altares nos quais, bois e cordeiros foram sacrificados em cada um dos altares. E ainda assim, Bil'am só proferiu o que o Eterno lhe colocava na boca, no último dos oráculos disse: "Quão belas são as tuas tendas ó Jacob, as tuas moradas ó Israel. Depois disto, Bil'am disse a Balac o que deveria fazer, e o que ocorreria no futuro.
No fim da Parashá, no capítulo 25, revela-nos que os homens de Israel se envolveram com as belas mulheres de Moab e de Midian, errando pelo culto a outros deuses (idolatria) e pela promiscuidade com as mulheres. Isso trouxe uma praga a Israel, na qual morreram 24 mil habitantes do acampamento de Israel. 
Interpretação da Parashá
A Parashá Balac apresenta-nos três grandes lições e ao mesmo tempo um grande mistério, é repleta de simbologia, sendo uma das mais enigmáticas porções da Bíblia, o que a torna bela pela sua mensagem de força espiritual.
Primeira lição, é a de que o Eterno revela-se a quem Ele quer, neste caso embora Bil'am seja um homem pecador, era um profeta e um mago, era cego de um olho, que estava tapado por uma pala, e esse olho era parte do seu corpo que não pecou, porque não via nele residia a santidade e por ele se salvou. do mesmo, modo podemos ser muito virtuosos, mas basta uma parte pequena do nosso corpo para nos levar ao pecado total, o coração, a mente, a língua, uma mão, um olho, e toda a alma perde-se por uma pequena parte parte.
Segunda lição, é a de que os que se aproximam do Eterno, são abençoados, mas aproximar-se do Eterno, é aproximar-se da Torá, do cumprimento dos seus preceitos, das suas mitzvot, para tal, requer também uma condição, a de que não pequemos amaldiçoando, maldizendo, invejando, porque somos todos filhos de D-us e amados do mesmo modo, as nossas diferenças não devem ser motivo de discórdia, mas de diálogo. Por isso se nos aferrarmos com fé e amor à Torá e à vontade de D-us, nada temeremos. Por outro lado é preciso entender também, que tal como o povo hebreu é um povo isolado, separado, pouco numeroso e que está só nos momentos difíceis, assim somos todos nós que obedecemos a palavra do Eterno.  
Terceira lição, é a de que Bil'am (Balaão) sabia onde residia a força de Israel, entendia de onde provinha a graça e as bênçãos, ou seja, da Obediência e do temor ao Eterno, pelo cumprimento das Mitzvot, e da observação zelosa do modo de vida reto, para consigo, e para com o próximo, e sabia que essa bênção seria destruída pelo pecado.

 O Grande mistério, é o pecado, senão obedecermos a uma parte do nosso corpo, seja a mente, a língua, a vista, a mão, ou mesmo o coração, para que nos afastemos de D-us e para que possamos pecar gravemente perdendo a salvação, se isto ocorre por uma pessoa, perde-se uma pessoa, mas se for todo um povo, perde-se esse povo, tal como no capítulo 25 de Número, vimos que a idolatria e a promiscuidade levaram todo o acampamento de Israel a uma epidemia, na qual morreram 24 mil pessoas, porque apenas algumas pecaram. 
HAFTARÁ: MiQUÉIAS 5:6-6:8
VeHayáh Sheerit / O restante de muitos povos

    "Seja exaltada a tua mão sobre os teus adversários, e sejam exterminados todos os teus inimigos. E sucederá naquele dia, diz o Eterno, que exterminarei do meio de ti, os teus cavalos e destruirei os teus carros, exterminarei as cidades da tua terra, e deitarei abaixo todas as tuas fortalezas, da tua mão eliminarei feitiçarias, e não terás mais adivinhadores; do meio de ti exterminarei as imagens esculpidas e os teus altares feitos de uma só pedra, e não te prostrarás mais diante das obras das tuas mãos". Neste trecho de Miqueias, revela as obras que desagradam ao Eterno, e dizem-nos do modo errado como o ser-humano ao longo dos milénios tem procurado D-us da forma errada, vendo-o no fruto das próprias obras, na benesse da sua satisfação pessoal, buscando um deus da sorte, ou do azar, do prazer e da ostentação, ao contrário de encontrar D-us dentro de si e na semelhança do próximo.

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